segunda-feira, 15 de março de 2021

O peixeiro de Caparica

As aguarelas e desenhos de Calderon Dinis são a própria pele da cidade do Tejo. Veja-se o álbum "Tipos e Factos da Lisboa do Meu Tempo". 

O peixeiro de Caparica, Calderon Dinis (detalhe).
Museu de Lisboa

A policromia da cidade está a desaparecer. Calderon Dinis, porém, não deixou que dela não haja lembranças e história de tantas histórias feitas. 


O peixeiro de Caparica, Calderon Dinis.
Museu de Lisboa

Com muita gente. Muitas ruas. Muitas voltas. (1)


(1) Casal das Letras

quinta-feira, 4 de março de 2021

Casa de campo

Foi ainda há muito pouco tempo acabada de construir, esta bonita casa, na mata da Costa da Caparica, sendo propriedade do Ex.mo Sr. José Pereira Mendes.

Costa da Caparica, casa de Campo na Mata, projecto do arquitecto Adelino Nunes.
Arquitectura, revista mensal, julho 1931

O projecto é da autoria do nosso colaborador, o arquitecto Adelino Nunes, que neste género de edificações tem produzido algumas boas casas, tanto no que respeita a fachadas agradáveis e de boa proporção, como na disposição das plantas, que é sempre motivo de sério estudo.

Costa da Caparica, casa de Campo na Mata, projecto do arquitecto Adelino Nunes.
Arquitectura, revista mensal, julho 1931

Apresentamos só a fachada principal, porque as restantes fachadas são a sequência dessa, como não podia deixar de ser. A construção desta casa é muitissimo simples, mas também, como os leitores vêem, muitissimo agradável.

O muro da frente que dá para a estrada, com os seus motivos de tejolo, completa o conjunto e estabelece euretmia com a paisagem. (1)


(1) Arquitectura, revista mensal, julho 1931

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Regresso ao bairro do Costa Pinto

Foi o António Maria, antecessor do Pontos nos ii, um dos jornaes que o publico mais destinguiu a subscripção destinada a soccorrcr os pobres de Caparica victimados por mais dum terrivel desastre.

Vista da Costa de Caparica, ed. desc. (Martins & Silva) Bairro do Costa Pinto, década de 1900.
Delcampe

Ao tempo estampou aquelle jornal o desolado aspeto da mísera povoação, e por isso nos parece interessante apresentar hoje o novo aspecto d'esses areaes ermos, ainda ha pouco, do mais insignificante conforto, aspecto agora risonho, com as suas despretensiosas mas confortaveis habitações, onde se abrigam mais de dusentos pobres que se atrophiariam ao desamparo se lhes não acudisse como accudiu a beneficencia publica, tão bem aproveitada e secundada pelo esforço d'uma iniciativa particular para a qual serão poucos toda a gratidão e todo o elogio. (1)

Costa da Caparica, As novas edificações, 1887, desenho de João Ribeiro Cristino.
Hemeroteca Digital

O Occidente publica no seu numero de hoje, uma gravura das ruinas do incendio de Caparica, uma outra gravura das novas edificações e um retrato de Jayme Arthur da Costa Pinto, nome ligado de ha muito a todos os bellos melhoramentos que se teem feito nestes ultimos annos, do outro lado do Tejo. E pedem-me um artigo para acompahhar essas tres gravuras, artigo meio bigraphico meio historico, que descreva o perfil simpathico desse bello rapaz e conte o apparecimento d'esses quarterióes de casas, que se erguem, todas garridas, junto àI praia, ouvindo o bater compassado das ondas nas suas pedras.

Eu não sei se conhecem Caparica e não lhes levo a mal. que a não conheçam. Eu tambem a não conhecia, aqui ha dois mezes. Uma manhã appareceu-me Jayme Pinto, convidando-me a ir ate lá. Distribuiam-se as ultimas casas aos pescadores que ainda estavam sem moradia, depois do incendio que lhes devestára as toscas cabanas, onde viviam centenas de familias.

As novas habitações da Costa de Caparica, dezembro de 1886, desenho de Bordallo Pinheiro.
Hemeroteca Digital

Quem vier ainda hoje á praia, e olhar em torno d'ella para uns poucos de casebres antigos, que ainda lá existem, cobertos de fetos, e depois reparar nas novas editficações, perfeitamente modernas, muito simples e multo aceiadas, que formam duas ruas da praia, perceberá facilmente qual o contentamento d'aquella pobre gente, que vendo um dia destruidas pelas chammas as suas míseras habitações, julgando por momentos inteiramente perdidos os seus parcos haveres, se encontra poucos meses depois — graças á caridosa iniciaiva de Jayme Pinto secundada brilhntemente por um grupo de cavalheiros presididos por El Rei, — inquilinos de umas casinhas cuja architectura e cuja divisão iam muito além da sua espectativa, com quartos separados, elles que dormiam n'uma miscellanea pouco perfumada, e uma cosinha aspeciai, coitados, que antigamente faziam o jantar junto á enxerga onde dormiam!

— Até temos sala, dizia nos uma pobre velhinha, toda ufana, satisfeita do seu pequenino lar. E mostrava-me urna das divisões, com duas cadeiras e uma roca.. Ern alli que ella fiava o linho, n'essas escuras noutes de inverno, á luz fraca da lendaria candeia, quando cá fora o vento sopra rijo e os pobres pescadores descantam tristes da sua faina diurna, á espera de melhor tempo. E que vida tão curiosa, a dessa pobre gente, alheia completamente ao resto do mundo, gente que vive annos e annos, frente a frente com o sol que doura as conchas das praias e as ondas que as lambem, ignorante mas feliz, que não conhece, é verdade as maravilhas da sciencia e o encanto das artes, mas .que em compensação nunca leu um artigo politico, nem uma noticia de Hig life.

As novas habitações da Costa de Caparica, dezembro de 1886, desenho de Bordallo Pinheiro.
Hemeroteca Digital

Ha apenas um nome de que hoje se não esquecem, uma obra que lhes deve lembrar a todo o instante, se a ingratidão não tiver já minado aguelIas consciencias sãs e boas, — o nome de Jayme Pinto e o grande serviço que elle lhes prestou.

A transformação operada no aspecto de Caparica foi completa. O incendio nada respeitara, queimara uma a uma os pobres casebres, arrasara quasi inteiramente todo o bairro.

Costa Pinto era então deputado por Almada, e como deputado que era — e ninguém melhor do que elle o sabia ser para os seus constituintes — tratou logo de arranjar soccorros para tanta miseria. Ajudado então por varios cavalheiros, cujos sentimentos caritativos todos conhecem, titulares, artistas, engenheiros, burocratas e jornalistas, entre os quaes nos lembramos do marquez de Fronteira, engenheiro Magalhães, Brito Aranha, Eduardo Coelho, Antonio Castanheira, dr. Cunha Seixas, formou. se a commissão. El-Rei accedeu a presidil-a, e foi essa commissão tendo á sua frente o monarcha, que promoveu subscripções, que angariou esmolas, que pediu donativos, e que por fim mandou edificar n'aquelle areial immenso de Caparica meia duzia de quarteirões de casas onde vivem mais de cem familias.

As novas habitações da Costa de Caparica, dezembro de 1886, desenho de Bordallo Pinheiro.
Hemeroteca Digital

Mas a caridade entre nós, apezar de toda a sua boa vontade é fraca. tem poucos recursos, e a obra que se propunha fazer, era das que reclamavam maior receita. Pedro Correia então, por intermedio do seu escellente Jornal o Correio da Europa que todos os quinze dias leva aos nossos compatriotas do Brazil, a resenha dos acontecimentos mais importantes de Portugal, foi accordar lá no Imperio o coração delles implorandolhes uma esmola para os infelizes pescadores, seus irmãos, cahidos de repente por um fatal desastre, na mais horrorosa das misenas, e sempre generosos ouviram-o e mandaram então para a patria o fructo das suas subscrições.

E foi esse dinheiro junto ao que dentro do pais se apurou, que serviu para custear n despesa dessas edificações, que a commissão destribuiu ha mexes pelas familias mais necessitadas de Capariea.

E não deixa de ser curiosa a maneira como se fez essa distribuição. Pensarão muitos, sobretudo os espiritos incredulos do bem e da generosidade, que a ideia de Costa Pinto teve maior alcance do que a simples caridade.

"Um deputado, com os demonios! dirão os scepticos, não é sujeito que dê ponto sem nó. As estradas são serviços imponentes ás localidades, mas quem ha ahi que julgue que se dá assim do pé para a mão uma estrada, quanto mais um bairro inteiro!"

Costa da Caparica, vista aérea, 1930/1932.
Arquivo Municipal de Lisboa

Pois dão-se, ou pelo menos deu-as Jayme Pinto, sem ter sequer em mira a facilidade de arranjar mais meia duzia de votos para as suas candidaturas do porvir; deu-as, porque essas dadivas alegravam-o, satisfaziam-lhe o desejo do seu animo, bom, caritativo, serviçal, que fez com que elle passasse quasi á posteridade juntamente com a Outra Banda, na sua faina ingloria mas generosa de arranjar para o circulo que representava em cortes todos os melhoramentos, até os mais difficeis, de que elle carecia.

A forma como as casas foram distribuidas ahi esta para o provar. Essa distribuição não a fez elle, não a fez tão pouco qualquer dos seus collegas da commissão, fizeram-a os arraes de Caparica, os mestres, os chefes dos pescadores, que conheciam de perto aquella gente e que formaram de combinação a lista com os nomes dos mais pobres.

E, ponto importante ainda para os scepticos, esses pobres... não são eleitores.

Jayme Pinto chegou a ter, como ligeiramente notamos acima, a monomania dos melhoramentos para Almada. Ninguem melhor do que elle defendeu até hoje no parlamento portuguez os exigencias dos seus constituintes, e, francamente, quando um homem pugna de tal lorma pela terra que o elegeu como seu representante em cortes, imaginasse e muito bem que essa terra lhe dará, como justa recompensa a tão enormes serviços, a sua representação em côrtes... pelo menos emquanto houver estradas a fazer.

Costa da Caparica, ed. José Nunes da Silva s/n, década de 1940.
Bairro dos ílhavos ou do Costa Pinto vista tomada do Hotel Praia do Sol.
Delcampe

Puro engano! Parece que não conhecem essa caprichosa senhora que dá pelo nome de popularidade, e que Augusto Harbier descreveu já n'um assaz conhecido verso! Mas que importa! Melhor do que as listas que poderiam cahir na urna eleitoral, ahi tem Jayme Pinto as bençãos d'esses pobres soccorridos, a recompensal-o da sua obra meritoria e digna.

E nós vimos bem quanto esses infelizes lhe querem, na alegria com que o abraçavam commovidos, nessa rude mas sincera gratidão de campo-mos, que afinal são os unicos que sabem realmente ser gratos.

João Costa. (2)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Sentinellas perdidas

Foram crescendo a par;
São irmãos, e do píncaro do monte,
Dominam, todo em circulo, o horisonte
Da Costa brava, e do sanhudo mar!


Sentinelas ou Guardas avançadas, Caparica, Falcão Trigoso, 1935.

Nas grandes invernias,
Sentinellas perdidas, dam signal —
Sempre alerta, n'aquellas serranias —
Ao remoto casal.
Nos silvos das frondeadas ramarias.
Que se approxima o furacão austral!


Junho, 96.


(1) Bulhão Pato, Livro do Monte, 1896

sexta-feira, 24 de julho de 2020

We missed Caparica

Em 1947, no pós-Segunda Guerra Mundial, quando se começou a assistir a um enorme desenvolvimento da prática turística, a editora londrina Phoenix House lançou uma colecção ilustrada com o título “The Young Traveller Series” [...]

Costa da Caparica, Um trecho da praia, ed.Passaporte, 44.
Delcampe

Bem recebidos por pais e professores, passaram a integrar as listas das leituras aprovadas e recomendadas por muitas instituições, nomeadamente a Library Association, a School Library Association e a National Book League. 

O objectivo era descrever a vida de vários países, expondo os jovens leitores à diversidade do mundo e à diferença linguística e cultural [...]

Costa da Caparica, Vista parcial da Praia do Sol, ed. Passaporte, 43.
Delcampe

É possível que descrições longas pudessem ser consideradas cansativas para o público-alvo, pois a narradora diz, a certa altura, que os próprios filhos, às tantas, já estavam “sick of looking at things”.

Um exemplo flagrante de concisão diz respeito a Sintra, lugar venerado por forasteiros de origem britânica desde há muito e transformado em local de peregrinação romântica, o qual era normalmente objecto de arrebatadas descrições por parte dos viajantes estrangeiros. 

Costa da Caparica, Vista parcial da Praia, ed. Passaporte, 15.
Delcampe

Neste caso são-lhe apenas dedicadas breves linhas, sem as habituais citações de Childe Harold’s Pilgrimage, de Lord Byron [v. artigo relacionado: Ilustrações de Finden à vida e obra de Byron] – nas palavras de Karen R. Lawrence, um exemplo eloquente do modo como “fictional travel impinges on actual travel” –, por a descrição ser feita pelo jovem William, a quem escapa a magia do lugar e que afirma prosaicamente não terem subido até ao Palácio da Pena por... estar muito calor.

A Costa da Caparica, outro local considerado imperdível, foi também propositadamente evitado, por ser demasiado frequentado: “All the guide books we had ever read told us that no visitor to Portugal should miss Caparica (...)

Costa da Caparica, Vista parcial da Praia, ed. Passaporte, 19.
Delcampe

As G.H. said, it was all enough to make us avoid the place like the plague. (...) We told one another that not seeing Caparica lent a certain distinction to our travels.”

E houve até quem sugerisse à autora, à custa disso, um título para o livro que estava a preparar: “We Missed Caparica”.

Costa da Caparica, Um aspecto da Praia, Passaporte, 21.
Delcampe - Bosspostcard

Sublinhe-se esta vontade deliberada em percorrer um itinerário alternativo aos consagrados pelos guias turísticos que o próprio título da obra, The Young Traveller in Portugal (e também o da colecção em que está integrada, “The Young Traveller Series”), espelha, quando se opta pelo termo traveller e não tourist (o qual ia ganhando conotações negativas). (1)


(1) Maria Zulmira Castanheira,The Young Traveller in Portugal... Revista de estudos anglo-portugueses 26, 2017

terça-feira, 14 de julho de 2020

Ercília Costa, Antigamente

O Fado tem em Ercília Gosta uma das suas mais legitimas e fieis intérpretes. "Sereia peregrina do Fado", no dizer de alguns críticos, "Santa do Fado", no dizer de outros, Ercília Gosta é indubitavelmente uma grande cantadeira. 

Ercilia Costa (1902-1985).
Museu do Fado

Filha de gente do mar, teve por berço essa linda praia da Costa de Caparica, e foi de certo ali, embalada pelo murmúrio do Oceano, que a sua linda voz, que nos recorda a da saudosa Maria Vitória, aprendeu a cantar o Fado.

Ercília canta admiravelmente todos os fados, repassando-os dum profundo sentimento, escolhendo para cantar os versos mais simples da poesia popular — dessa poesia que ela sabe sentir e reflecte como um espelho a alma do povo.

Começando desde muito nova a cantar o Fado, não tardou a impôr-se pela sua voz de fadista primorosa. Portugal inteiro a conhece e admira, e ainda recentemente, no Brasil, Ercília teve ensejo de ver quanto é querida e apreciada não só pelos seus patrícios como pelo povo brasileiro.


Tem cantado em quasi todos os teatros do pais, em algumas casas fidalgas e, que nos lembre, gravou os seguintes discos: "Fado dois tons", "O meu filho", "Rosas", "Fado sem pernas", "Fado Ercília", "Fado Aida", "Fado Tango", "Saudades", "Fado Lisboa", "Divina Graça", "A minha vida", "Desilusão", "Um desgosto", "Amor de Mãi", "Fado Corrido", "Negros Traços", "A desgarrada", com o dr. Antonio Menano e Joaquim Campos, e "Fado da Mouraria", também com Joaquim Campos.

Quando há anos se realizou em Lisboa um desafio de football Portugal Espanha, reuniram-se numa ceia de confraternização, no restaurante Boina, diversos jornalistas desportivos, portugueses e estrangeiros, tendo sido Ercília Costa e o seu colega Filipe Pinto convidados a assistir a essa festa.


Ambos cantaram de tal modo, engrinaldando de sentimento os seus versos, que alguns dèsses estrangeiros que não conheciam o Fado, se declararam maravilhados, aplaudindo delirantemente a gentil portuguezinha e o seu colega. 

Decorrido bastante tempo, Ercília Costa ainda era assediada por alguns dêsses jornalistas estrangeiros, que lhe escreviam recordando essa noite memorável e pedindo lhe autógrafos e discos das suas criações.


Em sua homenagem, depois do seu recente regresso das Terras de Santa Cruz, foram-lhe oferecidas duas festas: no salão de Chá, do Café Chave de Ouro e no Retiro da Severa, em que Ercília Costa, pela selecta assistência que a elas acudiu, mais uma vez teve ensejo de ver quanto o público a estima.

Do seu reportório que Ercília escolhe escrupulosamente as seguintes quadras do poeta popular João da Mata:

ANTIGAMENTE

Antigamente era uso 
Jantar-se fora de portas,
E cantar-se o fado luso
Na sombra amena das hortas.

Preparavam se os farnéis, 
Combinado de antemão: 
Uns tratavam dos pasteis, 
Outros do vinho e do pão... 

Uma carroça enfeitada 
De palmeiras verdejantes, 
Levava a rapaziada 
Para o sitio dos descantes. 

Animação, algazarra, 
No banquete improvisado...
Até que a voz da guitarra
Vinha anunciar o Fado!

Toda a gente se calava,
E a garganta fresca e bela
Dum cantador modulava
Uma cantiga singela. (1)


(1) A Victor Machado, Ídolos do fado, Lisboa, Tip. Gonçalves, 1937

Artigos relacionados:
Ercília Costa (1902-1985)
Rosa Costa, A minha paixão
Caparicanas

Outras referências:
Ercília Costa no Museu do Fado
Livro "Ercília Costa - Sereia Peregrina do Fado" no facebook
Ercília Costa no YouTube
Ercília Costa em Discogs

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Sarah Affonso, postais da Costa a Manuel Mendes (1930-1931)

Ainda na década de 1930, a Costa era um fervedouro de conversas e encontros entre os escritores Manuel Mendes e José Rodrigues Miguéis (amigos desde a juventude e companheiros da Seara Nova), e respectivas mulheres, Berta e Pola, os desenhadores e retratistas Sarah Affonso, José Tagarro e Alice Rey Colaço, o maestro e compositor Fernando Lopes-Graça, e o escultor Barata Feyo. 

Autorretrato (1927) e retrato de Manuel Mendes (1930), Sarah Affonso.
MNAC

As temporadas que Rodrigues Miguéis passou na vivenda Engrácia (Quinta de Santo António), alugada por Manuel Mendes, inspiraram algumas passagens da sua obra, como esta de O Milagre Segundo Salomé, em que a "criadinha pacóvia e sem lábia", Dores dos Santos, vai com o senhor Tesouras à Costa da Caparica: "Ela nunca tinha ido a uma praia de verdade, co 'mar' para ela era o Tejo, aquilo que se avistava de Algés e Dafundo..." (1)

3 de agosto de 1930

Receia que o assunto, que lhe interessa, não esteja resolvido. Regressa a Lisboa...

Costa da Caparica, Partida para a pesca, ed. Acção Bíblica (Aliança Bíblica), c. 1930.
Casa Comum

14 de agosto de 1931

Envia cumprimentos, esperando a sua visita...

Costa da Caparica, A Praia do Sol, A faina, ed. Acção Bíblica Casa da Bíblia, c. 1930.
Casa Comum

12 de outubro de 1931

Informa-o sobre a partida para Lisboa...

A Praia do Sol, Costa Caparica, ed. Acção Bíblica Casa da Bíblia, c. 1930.
Casa Comum


(1) Costa da Caparica: de Pina Manique a Mário Domingues, revista Sabado 22 de agosto de 2019

Mais informação:
Museu Nacional de Arte Contemporânea
Museu Calouste Gulbenkien, Sarah Affonso
Almanaque Silva, Mariazinha africanista
Casa Comum, Sarah Affonso